赤い船とつばめ – O pequeno texto que captou minha atenção pela sutileza

Pintura japonesa, de Ohara Koson, de uma andorinha sobrevoando um onda.
Swallow over the Ocean Wave, 
de Ohara Koson (1877–1945). 
とつばめ¹小川未明


ある()晩方(ばんがた)(あか)(ふね)が、浜辺(はまべ)につきました。そのは、(みなみ)(くに)からきたので、つばめを(むか)えに、(おう)さまが、
よこされたものです

(なが)(あいだ)(きた)(あお)(うみ)(うえ)()んだり、電信柱(でんしんばしら)にとまって、さえずっていましたつばめたちは、秋風(あきかぜ)がそよそよと()いて、()()(いろ)づくころになると、もはや、(ほう)のお(うち)(かえ)らなければなりませんでした。(さむ)さに(よわ)い、この小鳥(ことり)は、あたたかなところに(そだ)つように()まれついたからです。

さまは、もうつばめらの時分(じぶん)だと(おも)うと、えによこされました。つばめたちも、()りおくれてはならぬとって、その時分には、海岸(かいがん)(ちか)くにきて、()をつけていました。そして、波間(なみま)に、()えると、

「キイ、キイ……。」といって、(よろこ)んで()いたのです。

(はや)()つけたつばめは、それをまだ()らない(とも)だちに()げるために、空高(そらたか)()()がって、紺色(こんいろ)(うつく)しい(つばさ)をひるがえしながら、

がきましたよ。さあ、もう(わたし)たちは、()つときです。どうか、遠方(えんぽう)にいるおだちに()らせてください。」といいました。

なかには(とお)いところにいて、まだらずにいるものもありました。そういうつばめは、(むら)()のいいおだちができて、「まあ、まあ、そんなに(いそ)いで、おりなさることはない。」といわれて、()きとめられているつばめたちであったのでした。

は、浜辺(はまべ)四日(よっか)五日(いつか)、とまっていました。そして、四(ほう)から、毎日(まいにち)のように(あつ)まってくるつばめを()っていました。もう、たくさんつばめがって、最後(さいご)には、ほばしらのまで()まって、まったく、はいる(せき)がなくなった時分(じぶん)(しず)かに海岸(かいがん)をはなれたのです。

たいていは、(つき)のいい(ばん)()はからって、出発(しゅっぱつ)しました。なぜなら、(うみ)をゆくには、景色(けしき)()えなければ、退屈(たいくつ)であるし、また途中(とちゅう)から、をたよって、()んできて(くわ)わるものがないとはかぎらなかったからです。

あるとき、一()のつばめは、ろうとって、いところから、いでんできましたが、すでにってしまった(あと)でした。

そのつばめは、ひじょうにがっかりしました。しかたなく、()()として、これにってゆこうと決心(けっしん)しました。それよりのかなたへ、(わた)(みち)はなかったのです。

昼間(ひるま)は、をくわえてんで、(よる)になるとにして、その(やす)みました。そのつばめは、こうして、(たび)をしているうちに、一()、ひじょうな暴風(ぼうふう)()あいました。(おどろ)いて、をしっかりとくわえて(くら)(そら)()()がり、()にもの(ぐる)いで(あいだ)暴風(たたか)いながらかけりました。

()けると、はるか()(した)波間(なみま)に、が、暴風のために、くつがえっているのを()ました。それは、さまのおえに()されたです。つばめは、いでって、このことをさまに(もう)()げました。――さまは、ここにはじめて、(みずか)らの(ちから)をたよることのいちばん安心(あんしん)なのを(さと)られ、あくる(とし)から、()すことを見合(みあ)わせられたのであります。


――一九二六・九――



A andorinha e o barco vermelho 
Mimei Ogawa


Era crepúsculo quando um barco vermelho aportou à praia. O barco vinha do norte, a mandado do rei, em busca das andorinhas.

Por muito tempo, as andorinhas sobrevoaram o azul mar do norte e, empoleiradas nos postes, cantaram cada instante. Mas, agora que o outono se aproximava com ventos frescos e brandos e tingia de novas cores as folhas das árvores, as andorinhas deveriam retornar aos seu ninhos no sul. Logo, elas não resistiriam ao frio, pois nasceram para os lugares quentes.

Ao saber que já era o momento de elas retornarem, o rei enviava seu barco vermelho para acolhê-las. E, por sua vez, as andorinhas, cientes de que não deviam se atrasar para a chegada do barco, se precaviam, voando em direção à praia. Ao menor sinal do barco vermelho por entre as ondas, cantavam com trissos de alegria.

Aquela que primeiro avistasse o barco voava para mais alto no céu e, enquanto agitava suas belas asas azul-marinho, contava às companheiras que ainda não o tinham visto: "o barco vermelho chegou. É hora de partirmos. Tentem avisar as nossas companheiras mais distantes".

As andorinhas que estavam em regiões afastadas ainda não sabiam da chegada do barco. Elas tinham feito bons amigos nas vilas, e estes lhes diziam "está bem, mas vocês não precisam retornar tão depressa"; e por isso elas acabavam ficando um pouco mais.

O barco vermelho ficava ancorado na praia por 4 ou 5 dias, aguardando se reunirem as andorinhas que, todos os dias, vinham de diferentes direções. E assim permanecia, acolhendo as diversas andorinhas que embarcavam, até que os próprios mastros do navio estivessem repletos delas; e, logo que não restasse nem mais um espaço a ser ocupado, o barco partia da praia silenciosamente.

Naturalmente, a partida ocorria na noite mais límpida do mês. Caso contrário, seria tedioso percorrer todo aquele mar sem poder ver o belo cenário adiante; além de que o barco assegurava às andorinhas uma viagem em segurança e, a meio caminho, seria improvável que alguma conseguisse subir a bordo.

Certa vez, uma andorinha desejosa de pegar o barco apressou seu voou, vindo de um lugar distante; mesmo assim, ao chegar à praia, era tarde demais, o barco já havia partido. 

Isso deixou a andorinha extremamente desapontada. Mas, perseverante, decidiu que usaria a folha de uma árvore como barco e sobre ela viajaria. Não fosse essa, não haveria outra forma de atravessar o mar. 

Durante o dia, ela voava carregando a folha e, quando a noite caía, a posicionava sobre a água e em cima dela adormecia. Certa noite, assim a andorinha viajava quando se deparou com uma terrível tormenta. Amedrontada, agarrou fortemente a folha, voou para o alto no céu escuro e, enquanto enfrentava bravamente a tempestade noite adentro, esforçava-se por fugir.

Quando a noite limpou, ela avistou, entre as distantes ondas abaixo, um barco vermelho, que havia tombado com a tempestade. Era o braco que o rei havia enviado para buscá-las. A andorinha apressou-se a retornar e contou ao rei o ocorrido. Pela primeira vez, o rei compreendeu que as andorinhas eram fortes e capazes de retornarem por si mesmas e que essa era a melhor opção; por isso, nos anos seguintes, não se fez mais necessário enviar o barco.

1926–9


Tradução do japonês²: Wagner Almeida.


Há pelo menos um ano, eu buscava me dedicar mais e melhormente à leitura de textos em japonês, com o objetivo de melhorar meu vocabulário. Depois de tentar encontrar textos japoneses na internet, uma tarefa por si só bastante árdua, imaginei que a Aozora Bunko, uma biblioteca digital japonesa, seria de grande ajuda.

Essa foi uma ótima ideia, mas não funcionou bem assim, afinal, a maioria dos textos que se encontram lá não são tão recentes. Depois de mergulhar no mar de kanji e palavras desconhecidas do aplicativo da Aozora Bunko por horas, eu já estava quase desistindo, quando encontrei um texto cujo título me chamou muito a atenção. E o texto não era tão antigo.

Até agora, já o li mais vezes do que posso contar. É um texto simples, mas que cultiva, em cada linha, a sutileza e a perspicácia tão típicas dos japoneses. Nesse tempo, fiz e refiz traduções dele, mesmo sem ter, para com elas, um propósito além do aprendizado; e, a cada vez, pude ir mais fundo em seu significado, embora não presuma que minha tradução dá conta de todo ele.



Na verdade, isso fica e deve ficar a cargo da interpretação e da imaginação de cada leitor. E é com esse fim que incluo abaixo o texto original em japonês (de um escritor que logo descobri ser mais importante para a construção da literatura japonesa do que pensei a princípio e sobre o qual pretendo falar noutro post) e, em seguida, a tradução final a que cheguei.

Como é possível perceber, o texto tem um caráter bem educativo; o que, por sua vez, não elimina suas características artísticas, mas, pelo contrário, isso permite diversas interpretações, analogias e análises. 
Por isso, se você gostou desse post não se esqueça de comentar abaixo, compartilhando com a gente suas percepções sobre o texto e o que você está fazendo para aumentar seu vocabulário em japonês!

ありがとうございました。


¹Fonte do texto original: 赤い船とつばめ
²Caso utilize, cite a fonte da tradução.



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